Tu perguntas o que a lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados?
Respondo...
Que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu.
“Quem as algas apertam em seu abraço…”, perguntas...
“Mais firme que uma hora e um mar certos?” Eu sei.
Perguntas sobre a presa branca do narval,
E eu respondo contando como o unicórnio do mar, arpado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-pescador
Que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano, e somente ele, sabe tudo isto:
Que a vida...em seus estojos de jóias,
É infinita como a areia, incontável, pura;
E o tempo...entre uvas cor de sangue...
Tornou a pedra dura e lisa,
Encheu a água-viva de luz,
Desfez o seu nó, soltou seus fios musicais
De uma cornucópia feita de infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão
E de dedos habituados à longitude
Do tímido globo de uma laranja.
Caminho como tu, investigando a estrela sem fim.
E em minha rede, durante a noite, acordo nu.
E a única coisa capturada...
É um peixe preso dentro do vento.
Pablo Neruda.
PAAABLO NERUUUDA!!!!
Isso lhes lembra algo?
Investigando a estrela sem fim?
Não é o que fazem as vezes?
"E em minha rede acordo nu".
Também não jogam suas redes nesses lugares distantes da razão, da ciência, da lógica, da política, da espiritualidade, e dos conselhos....
E não acham que só acabam por vezes capturando, de novo, a si mesmos?
"Um peixe preso dentro do vento".
E as outras pessoas em nossos sistemas, teorias, visões do todo?
E esses transeuntes aos quais nos achamos as vezes tão superiores...
Também não são como peixes dentro do vento?
Talvez seja pior para eles pois não sabem nem como descrever isso.
Diga-me se as vezes, olhando fixamente para as teorias, ou visões que colocamos na palma de nossas mãos...
Não olhamos ao redor.
Diga-me se as vezes, ao pensar e teorizar, não encadeamos tudo em escalas programáticas, preenchidas, se esquecendo de que até os átomos possuem lacunas.
Descartes nos chamava de máquinas como relógios.
Hegel pensava no chamado "grande espírito".
Os cientistas podem nos dizer quais são as metáforas para a vida.
Políticos e religiosos podem nos dizer de que forma devemos viver.
Mas me sinto tão reduzido sendo chamado de relógio, quanto ao ser chamado de sistema.
A vida...não é condensável assim
Um grupo de pessoas usa certas palavras para mudar o mundo, aí outros chegam com outras palavras para muda-lo, mas não importa.
Não importa mesmo......é como as estações mudando.
E eu gosto disso...
Gosto de suas coragens temerárias.
Gosto de saber dos que se importam. Deus, não seria nada de mal.
Mas é sempre bom lembrarmos que...A vida sente a si mesma.
A vida sente a si mesma.
Diferentemente de suas palavras, talvez...
E até com as melhores intenções erraremos se esquecermos que a vida...
A vida é infinitamente mais, e mais, e mais, e mais...
Do que as suas, as minhas, e quaisquer que sejam as obtusas teorias a respeito dela.
Sentir o universo, o mundo, é um trabalho interior.

"A vida é infinitamente mais, e mais, e mais, e mais..."
ResponderExcluirAmor, vc está parecendo um biólogo falando, acho q as aulas de Biologia Celular estão fazendo efeito....haahaha
Estudar minusculas partículas, pode parecer ser tão insignificante, estudar um alfabeto de apenas quatro letras pode parecer tão tosco e aprender que o sentido da vida é
5´->3´ pode parecer tão simples.
Mas quando agente tenta endenter ou explicar como viemos parar aqui e por que as coisas são dessa forma, aí tudo se torna complicado.
E é aqui que entra o que voce disse : "Um grupo de pessoas usa certas palavras para mudar o mundo, aí outros chegam com outras palavras para muda-lo, mas não importa."
Realmente não importa.
Tudo é teoria e nenhuma ciência é exata.
E quando vc diz "sentir o universo", só consigo pensar em Alberto Caeiro. Se ele lesse isso, tenho certeza que ele diria: Ainda bem que alguém aprendeu alguma coisa!....hahahaha
Beijos