segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Danuza Leão e Folha ressuscitam Navio Negreiro




Marcelo Mayer indicou, e o Desmanche de Celebridades reproduz abaixo um dos textos mais absurdos que alguém já escreveu.
Se eu lesse sem olhar a data de publicação, concluiria ser um relato dos tempos da escravidão.
Mas não, estava na Folha(Falha) de São Paulo do último domingo. Publicado no dia 06/02 de 2011.
Lorota de quinta categoria, inventada do começo ao fim, para transmitir a típica visão de mundo desse jornaleco.
Não perguntem porque a Folha de SP permite que textos assim sejam publicados. Ela não é séria para que se pergunte isso. Ela deixa por que pensa assim. Por que acredita nisso que está aí. Não é a toa não, e muito menos sem querer.
E CADÊ OS TEÓRICOS DO "EXCESSO DE POLITICAMENTE CORRETO NO BRASIL" AGORA HEIN? Sumiram?
Eles sempre somem nessas horas.
Politicamente incorreto não merece discussão para esses eminentes intelectuais.

Segue o texto:


DANUZA LEÃO - Luta de classes


Aprendi que a luta de classes começa dentro de casa, e mais especificamente, dentro da geladeira
HÁ UNS DOIS ANOS tive uma diarista que começava a trabalhar muito cedo -por escolha dela; às 6h ela já estava em minha casa. Uma morenona bem carioca, simpática, risonha, disposta, sempre de altíssimo astral.

Gostei dela, e como detesto fazer ares de patroa -e não sei-, tínhamos uma relação amistosa e legal, como devem ser todas as relações. Algum tempo depois, comecei a fazer aula de natação em um clube que fica a uns 500 metros de minha casa. A aula era às 7h, mas e a preguiça? Preguiça de levantar da cama, e enfrentar a distância ficou difícil. Tive então uma ideia: levá-la comigo. Assim, teria companhia para ir e voltar, e seria mais fácil a caminhada. Vamos deixar bem claro: não foi nem um ato de gentileza de minha parte, nem pensei apenas em meu proveito.

Achei que seria bom para as duas, e ela, que talvez nunca tivesse entrado numa piscina, ia adorar.

Perguntei se gostaria, ela ficou toda feliz, e, a partir daí, todos os dias íamos juntas, conversando.

Eu pagava minha aula e a dela, e às 8h30 estávamos de volta, alegres, falando sobre nossos progressos. Já que não posso mudar o mundo, pensei, estou exercendo o socialismo -ou a democracia- pelo menos em meu território. Mas notei que a cada vez que contava isso para os amigos, nenhum deles dizia uma só palavra; nem para achar que tinha sido uma boa solução, nem para ficar contra, nem ao menos para achar alguma graça. Silêncio geral e total.

O tempo foi passando. Comecei a perceber pequenos desvios no troco, às vezes dava por falta de uma das três mangas compradas na feira, os picolés que guardava no freezer desapareciam, os refrigerantes e sabonetes também, e eu pensava: "tem dó, Danuza, afinal ela toma duas conduções para vir, duas para voltar, a grana é pouca, se ela fica com oito ou dez reais da feira, é distribuição de renda. E se comeu metade do Gruyère, dizer que o queijo francês é só seu, é um horror"; e assim fomos indo.

Fomos indo até que um dia viajei por um mês, e quando voltei, houve problema com um cheque; coisa pouca, mas ficou claro, claríssimo, que tinha sido ela, e tive que demiti-la, o que aliás me custou bem caro, em dinheiro e pela deslealdade. Depois da demissão, fui descobrindo coisas mais graves -e nem vou contar todas, só uma delas: nos fins de semana, ela vinha com o marido, punha o carro na garagem do prédio e o casal passava o fim de semana na minha casa.

Depois de recibos assinados, tudo liquidado, chegou a conta do telefone do mês em que estive fora: havia 68 ligações para um único celular. Liguei para o número e soube que era de um funcionário do clube de natação, que ela paquerava.

Quando entrou a substituta, tive que comprar lençóis, toalhas e um monte de coisas que ela havia levado. Sei que não sou um modelo de dona de casa, mas alguém conta todos os dias quantos lençóis tem? E tranca os armários? Não eu. Durante um bom tempo fiquei mal: pela confiança, pela traição, depois de quase dois anos de convivência. E agora?

Não sei. Afinal, somos ou não somos todos seres humanos iguais, como me ensinaram? Ou é preciso mesmo existir uma distância empregado/patrão, como dizem outros? Ou esse foi um caso singular?

Aprendi que a luta de classes começa dentro de nossa casa, e mais especificamente, dentro da geladeira. E enquanto o mundo não muda, passei a comprar queijo de Minas, que além de tudo não engorda.



PS: com seu bigodinho recém-aparado, e o cabelo recém-pintado, Sarney está a cara do ator Dirk Bogarde em "Morte em Veneza".

24 comentários:

  1. http://www.interney.net/blogs/lll/2011/02/06/luta_de_classes_por_danuza_leao/

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  2. que liberdade de expressão é essa que demite Maria Rita Kehl do Estadão por defender o governo Lula? que liberdade de expressão é essa que permite um texto racista, com falso moralismo e que beira sim ao machismo de Danuza ser publicado?
    que vão me perdoar a classe da comunicação, mas se pode levar a sério hoje um jornalista da grande imprensa?
    e ironicamente, numa página antes da coluna da Danuza, havia uma matéria sobre domésticas e a falta que elas estão no mercado de trabalho. e imagine só o motivo da falta de domésticas e diaristas: elas estão se qualificando, estudando, fazendo cursos e muitas virando empreendedoras...
    chupa, Danuza!

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  3. http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4403720-EI6578,00-Artigo+de+Danuza+Leao+teve+criticas+a+Dilma+adulteradas.html

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  4. Ahhh, eu não acrediiito!!!!Hahahaha.
    A mulher que ressuscitou a casa grande e a senzala no último domingo votou em quem?
    Nãããão. KKKKKK.

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  5. E Britu.....o q aconteceu na TV Cultura não é mesmo?

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  6. ah claro... corte de custo, não? acho que li algum jornalzinho que foi isso

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  7. sim sim, claro. corte de custos.
    foi isso q fez eles demitirem caras como o luis nassif.
    tudo pró-serra os demitidos...ah não?entendi.
    q outros nomes bonitinhos deram?

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  8. a moda do jornalismo é usar a palavra "renovação"

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  9. O que mais chama atenção é o insistente diálogo políticamente correto. Um engodo como se estivesse falando de uma sub-raça. E ela, magnânima que é, trata este tipo de gente como se fosse um igual a ela (como se fosse!!!).
    Este pessoal é tão preconceituoso que, até mesmo quando tenta não ser, aparenta ser mais ainda.
    Aproveitem e vejam O Programa 60 Minutes falando a respeito da "Herança Maldita" de LULA.
    http://todeolhomalandragem.blogspot.com

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  10. Silenciosamente, a sra. patroa (intelectual, revolucionária e outros adjetivos)declara que jamais leu K. Marx, Fiódor Dostoiévski, O alienista - de Machado de Assis ou sequer Memórias Póstumas de Brás Cubas. Esta é uma listinha simplória, simplória até de detalhamento das obras dos clássicos(para os estudantes candidatos ao PROUNI) como Casa Grande e Sen... de G. Freire. Paciência. Paciência se escreve com c.

    GERALDOSANTANA.BLOGSPOT.COM

    Segunda-feira, Fevereiro 07, 2011

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  11. Então Geraldo...dondocas apedeutas e que se acham inteligentes são um saco.

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  12. Alias, por falar em Casa Grande e Senzala do Gilberto Freyre, acho q a turma que fala sobre "excesso de politicamente correto" é herdeira do mito da democracia racial.
    Parece que querem deixar subliminar uma ideia do tipo "lembra quando eramos todos unidos e felizes aqui no brasil sem sequer notarmos nossas diferenças sociais e raciais". Uns pseudo-românticos iludidos.

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  13. Hahaha, verdade Britu.

    Mudar um programa é mudar a cara de quem apresenta, ou aspectos de formato e estética. Passam a idéia de que mudança de conteúdo, ou qualidade e coerência não são tão importantes assim.

    Como da última vez que me ligaram pra eu voltar a assinar a Folha. Eu disse que era contra a linha editorial do jornal, e a vendedora respondeu que eles tinham mudado o tamanho da letra, hahahaha. Falou que o Jornal estava mais bonitinho.

    Daí vem também a Huckização. O ideal é um cara que dê carater de "infotenimento" pra tudo, que puxa o saco e faz média com todo mundo, que só da voz no seu programa a quem ele gosta, e que nunca se aprofunda em nada.
    Gosto de humor e entretenimento, só não quero isso o tempo todo.

    E pluralidade na grande mídia, vai de A até B. C eles falam que é o Diabo.

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  14. Concordo totalmente com a danuza, a luta de classes começa em casa mesmo. A gente dá a mão, e querem logo o braço. Quem não teve um empregado folgado, é porque não teve a oportunidade de ter empregados...

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  15. E quem nunca teve um patrão folgado, é pq nunca teve um patrão.

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  16. O erro da Danuza é generalizar. E generalizar através de um discurso patriarcal, colonialista e preconceituoso. Os termos utilizados remetem a isso. Um texto campeão de esteriótipos por metro quadrado.

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  17. E vc Guilherme, adorável semi-troll, hahahaha...brincadeirinha...espero que tenho empregada, que seja registrada, receba direitos, e não um salário-senzala. Falou.

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  18. haihaiuhauihuaihuah, MEU DEUS!!!

    Assim todos os burgueses podem se sentir aliviados por desconfiar de suas domésticas e partilhar isso com o mundo, porque afinal, não é a toa, não é preconceito, é apenas um fato.

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  19. Danuza Leão não sabe o que é Luta de Classes e fez um artigo pífio. Se ela quer continuar a escrever que o faça com outros temas. Chega desta turminha acéfala! No Brasil existe uma forte estrutura anticomunista, liderada pela Globo, e agora os que não entendem das lutas sociais no cotidiano querem fazer comentários. Só falta agora o Luciano Huck e Ana Maria Braga falarem de Lutas de Classes em seus programas e, aí sim, chegaremos no fundo do poço!

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  20. Diálogos, e vai falar pra essa galera que nem sabem o que é Luta de Classes. Te chamam de arrogante, pedante, e sabe tudo. Somos sabe tudo não. Eles é que são uns sabe nada.

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  21. Concordo Desmanche de Celebridades! Essa galera não sabe nada... Abaixo a hipocrisia dos sabe nada. Não sou lulista, mas lembra quando o Lula foi candidato em 1989 e espalharam um boato em que se ele ganhasse a eleição, dividiria todos os bens da classe média com os pobres? Então, são pessoas infelizes como a Danuza que alimentão essa baboseira. E tem as piores da época da ditadura: comunista é criminoso; comunista come crianças e etc. Por que não usar o espaço do jornal para fazer um debate que propicie expor o lado real das pessoas mais pobres e seus veradeiros sentimentos. Quando for usar termos como Luta de Classes, deve-se ler bons livros e se instruir bastante sobre teoria. "A Luta de classes começa dentro da geladeira" (sic) - Que besteira, hein!

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  22. Boa Diálogos.....Abaixo à Ditadura dos "Sabe Nada".

    Esclareço que muita gente na elite e na oposição política é culta e inteligente, mas é inegável que existe também um mar de mediocridade.

    Sério!Vivemos uma situação paradoxal. As pessoas fazem mais cursos, estudam mais tempo, se qualificam e aprendem mais, possuem mais acesso à informação. Porém, tudo deve ser pouco aprofundado, e resumido a noções básicas.

    Pessoas que iniciam diálogos mais aprofundados, seja sobre música, cinema, literatura, sociedade, política ou até futebol, são embaladas pelo rótulo da chatice e pedantismo, e obrigadas a repetir jargões que todo mundo está dizendo sobre o assunto apenas para não serem ridicularizadas. Qualquer coisa que transpasse o nível rasteiro de discussões sobre qualquer assunto e a pessoa é classificada como arrogante.

    É a desculpa para pessoas que não querem aprender ou ensinar nada de novo, e acham que já sabem o suficiente sobre tudo. Um parasitismo tão hipócrita que chega a dar medo.

    Fico pensando se pessoas interessantes, dispostas a ampliar horizontes para ensinar e aprender, serão cada vez mais enlatadas pelo estigma da chatice.

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  23. Concordo Desmanche...há de se notar que vivemos, hoje, num mundo chamado "pac-man", não tão distante daqueles grupos de seres primitivos, ressalto, que habitavam nosso "humilde" planeta gasoso, do início do Jurássico ao final do Cratácico (era Mesozóica)...ou seja...a luta de classes já se iniciava antes mesmo de nós, Homo sapiens sapiens, por excelência e forças evolutivas conhecidas, mostrarem a cara para a mãe Earth. A diferença (se existir) é que antes haviam formas, maneiras e por que não necessidade de classes dominantes mostrarem razões explícitas pelas quais dominavam seus grupos inferiores, mas isso não alterava o curso de um todo ou de uma parte. Hoje, usamos as mesmas formas primitivas de dominio, mas como todo e bom fastígio da cadeia evolutiva QUE ATINGIMOS, denegrimos, distorcemos e até camuflamos a nossa proprio "eu", escondendo meios primitivos, zombásticos e selvagens de nos mesmo em forma de poesia e comunicação acéfala. Viva a mídia e a desmoralidade, sejamos primitivos novamente...hahahaha

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