segunda-feira, 4 de abril de 2011

Jornalistas do grupo Folha são demitidos após comentários no Twitter


Por Luiz Mazetto, para o IDG Now!

Publicada em 04 de abril de 2011 às 18h50

Considerados "inapropriados" por ombudsman da Folha, tuítes tratavam da cobertura da imprensa sobre a morte do ex-vice-presidente José Alencar.

Depois de um editor da National Geographic e um fotógrafo do Agora, foi a vez de dois jornalistas dos jornais Folha de S.Paulo e Agora serem demitidos por comentários no Twitter considerados impróprios pelos veículos (que, neste caso, são do mesmo grupo).
No último dia 29, o então editor-assistente de política da Folha, Alec Duarte, e a repórter do Agora SP, Carolina Rocha, trocaram tuítes sobre o trabalho da imprensa na cobertura da morte do ex-vice-presidente da República, José Alencar, que faleceu na mesma data.
"Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão”, escreveu Duarte em sua conta no microblog, sem fazer nenhuma referência explícita ao ex-vice. Depois, Rocha respondeu: "Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs.” O jornalista, então, lembrou de um erro recente da Folha, que noticiou erroneamente a morte do ex-senador Romeu Tuma, no último mês de outubro. "Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo." Mais uma vez, sem fazer citação direta ao erro do veículo.

Bastaram três tuítes para causar a demissão dos jornalistas
Os jornalistas confirmaram suas demissões em seus respectivos perfis no Twitter e blogs. Carolina chegou até a enviar um e-mail para a ombudsman da Folha, Suzana Singer, que publicou coluna no domingo, 3/4, criticando os comentários dos jornalistas (que considerou “inapropriados”). Tanto os e-mails trocados entre ambas como a coluna de Singer estão disponíveis no blog da repórter.
Em tuíte postado na tarde de hoje, 4/4, e em um dos e-mails, Carolina afirma que Suzana teria sido “culpada” pelas demissões, já que os tuítes, segundo ela, não teriam tido repercussão nenhuma, ao contrário de casos recentes já citados, como o da National Geographic. A isso, Singer respondeu no e-mail: “Não tenho nada a ver com a demissão, porque não tenho nenhuma participação nas decisões das chefias. Mas posso dizer que lamento muito a saída de vocês e me sinto mal por ter provocado isso com a crítica interna.”
As contas no Twitter de ambos os jornalistas não traziam então nenhuma referência aos seus empregos nos jornais. Além disso, os comentários e os perfis no microblog continuam ativos e disponíveis para visualização.
Até o horário de publicação desta reportagem, a Folha de S.Paulo não havia respondido ao nosso pedido de comentário sobre o assunto.

5 comentários:

  1. Peço desculpas de antemão se vou a falar bobagem; mas a meu ver o tragicômico é que isso vai de encontro a toda aquela ladainha de terem derrubado o diploma de jornalismo usando como justificativa a liberdade de expressão. Como fica se estes não podem se expressar nem em suas páginas pessoais, de forma totalmente despretensiosa e discreta?
    Essa hipocrisia me cansa...

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  2. Mídia de direita é isso aí!!!
    Eu concordo com FH, em seu texto, em apenas um ponto, a oposição deve mudar seu rumo e seus caciques. Enquanto ela ficar apostando em derrotados tipo José Serra, a oposição estará fadada à derrota. Contudo, para que o PSDB mude de rumo, ele deve negar tudo aquilo em que acredita, como o Neo liberalismo.

    http://todeolhomalandragem.blogspot.com

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  3. O engraçado é que o PSDB não surgiu com esse propósito. Era um partido social-democrata. Que razões fizeram eles se tornarem neoliberais tão conservadores...as alianças políticas?

    Desmanche.
    ps: preguiça de logar

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  4. Em contrapartida, o "jornalista" do Manhatasm connection continua trabalhando após chamar as esposas dos presidentes árabes de "primeiras piranhas" (alusão à primeiras damas).

    http://todeolhomalandragem.blogspot.com

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