Quando Deus criou esse homem, chamou de canto e sussurou ao pé do ouvido: " Cara, vem cá. É o seguinte rapá, presta muita atenção: eu vou te dar um dom. Você vai ser um gênio com a gorduchinha nos pés. A multidão vai te adolatrar! Vai correr frenética disputando a tapas o privilegio de te ver. A mulecada dos quatro cantos do mundo vai sonhar em ser você chutando bola de meia descalça nas ruas de terra, e você vai ser fotografado até no meio do oceano Atlântico, tomando banho de mar com a sua familia, no seu Iate de 1 bilhão de dólares. A sua fortuna pessoal vai ser maior do que o PIB de todos os paises da América Central somados, e a sua figurinha do album da Copa do Mundo, vai ter que ser trocada por no mínimo 20 outras dos pernas de pau do Egito, Trinidad e Togago, e Arabia Saudita, tá me entendendo!? Mas com toda graça, e é bom que você saiba disso, vem também uma terrivel maldição. Muita gente vai te zoar por isso, esteja preparado! E não diga que eu não avisei.
Tenho sido muito duro com o povo brasileiro aqui nesse blog. Um povo que é legal pra caralho, mas que sempre pisa na bola quando o assunto é ética, consciência republicana, civilismo, e democracia (esporte nacional). Mas vamos deixar isso pra lá, ninguém é perfeito. Todo mundo erra não é mesmo??? Alguns erram bem mais, outros erram bem menos, mas vamos deixar isso pra lá. Não se esqueçam que nem todos os problemas do mundo são só nossos, apesar de ser aqui que nós vivemos, mas vamos deixar isso pra lá também.
Pois bem, para agradecer a esse povo que tanto nos deu (logo em seguida tentou tirar tudo), a Direção do Desmanche de Celebridades acaba de criar o celebre Troféu “Típico Brasileirinho”, que de tempos em tempos, irá eleger um figurão do nosso povo pego no flagra, por seu cômico e espontâneo descumprimento das regras básicas de conduta que regem (ou tentam reger) essa nação.
Vale dizer que nós mesmos aqui do site deveríamos ser agraciados com esse troféu de vez em quando, portanto, também estamos na disputa. Não venha chamar de prevaricação a nossa eventual vitória.
E a primeira ganhadora do Troféu “Típico Brasileirinho” é a Dona Lourdes, essa simpática senhora ai da foto. Uma mulher de fibra e de coragem, mas que na hora de atravessar a rua, sempre da um jeitinho de andar 15 metros a menos e cruzar a avenida fora da faixa de pedestres.
Êêêêêêê Dona Lourdes hein, depois não sabe por que morre né!? Foi o que disse o motorista do Citroen ao quase atropelar nossa simpática senhora homenageada da semana. Um quilômetro depois o semáforo fechou e ele parou o carro no meio da faixa de pedestres de uma das avenidas mais movimentadas do Rio de Janeiro. É uma merda!
LAURINDO, meu parceiro de blog, você morreu cara?
Se a resposta for não, por favor, mande uma mensagem. Qualquer uma. Pode ser em código morse, ou um sinal de fumaça Apache.
Se a resposta for sim, fique longe de mim. Morro de medo dessas coisas, mesmo sabendo que elas não existem.
Ah, lembra da avenida esburacada que passa embaixo da rua da minha casa?
Lembra que eles tamparam os buracos faz uns 5 meses ?
Então, já tá toda esburacada de novo.
Mas você não vai acreditar bixo, os caras já arrumaram mais dinheiro público, e tão tapando os buracos tudo de novo.
E lembra que eles pintaram todas as lombadas de amarelo? Então, já tão pintando tudo de novo também.
E da-lhe Pré-Sal pra financiar tudo isso!!!
Traz a sua câmera fotográfica aqui porra. Vamos tirar foto da avenida agora, e depois fotografá-la daqui a uns 6 meses toda esburacada. Daí fotografamos os caras consertando ela de novo (e provavelmente pintando as lombadas de novo). É pra isso que serve morar numa cidade que tem um dos dez maiores PIB/Per capita do país.
Outra coisa, você ficou sabendo que o Luciano Huck processou um cara que falou mal dele no Twitter? Te cuida rapá, tamú lascado se o cara entrar aqui. Alias, é a nossa chance de entrar pra essa geração “Big Brother” que aí está. Vamos colocar o link do blog no Twitter dele, e esperar que ele nos processe. Depois que ganharmos o processo alegando liberdade de expressão, podemos exigir uma indenização (prêmio) de 1 milhão de reais, que nem aquela estudante da Uniban, que eu nem lembro mais o nome, está fazendo.
A sociedade atual parece uma concha de retalhos. Um gigantesco quebra-cabeças, que apesar de inteiramente montado, possui peças deslocadas do seu lugar original.
As pessoas, em sua maioria, vivem como se estivessem em um reality show. As atitudes ou pontos de vista, assim como a estética adotada por cada um, servem apenas como uma forma de aparecer ou de se tornar melhor do que os outros.
A miscelânia de paradigmas, apesar de não ser privilegio dos tempos atuais, adquiriu sua faceta mais exacerbada. A ambigüidade do real é a única certeza que temos. Longe de ser uma contradição da prática social, o que temos são apenas diferenças visuais ou da boca pra fora.
Mais do que uma mistura de conceitos, houve um esvaziamento ideológico de todos eles. Os símbolos e as condutas viraram signos, são cooptados livremente de acordo com modismos, conveniências, ou padrões de consumo. Nada significa nada, e um nada que leva a lugar nenhum. Como resultado, temos uma sociedade que perpetua o capitalismo selvagem, a injustiça social, a poluição, e o consumismo desenfreado. Mesmo que as pessoas digam que não são favoráveis a nada disso. Essa é a sua lógica, por que dizer e parecer, é diferente de fazer e praticar. Ficamos com a primeira opção.
Grande parte das pessoas só são diferentes na estética, por que na prática, perpetuam o mesmo padrão de sociedade em que vivemos, dada a frouxidão pela qual defendem os valores que dizem acreditar. É a pessoa que se diz católica, mas tem uma estatua do Buda na sala de sua casa (sem considerar esse exemplo em específico algo ruim). Ou o executivo de uma multinacional que só pensa em dinheiro, mas que usa uma pulseira hippie e um cabelo punk. Ou ainda aqueles que defendem o meio ambiente, mas são consumistas inveterados e jogam lixo pelas janelas dos seus carros. É como um semáforo que está sempre com as três cores acesas: ao passar por ele, a pessoa decide aleatoriamente se vai parar, seguir, ou prestar atenção. Às vezes, quer fazer mais de uma dessas coisas ao mesmo tempo.
As pessoas são vegetarianas, mas ao mesmo tempo chegam a ter no mínimo 3 celulares diferentes em um ou dois anos, só por que alguns possuem mais mega pixels do que os outros. Elas se esquecem que tal liberdade de consumo, tão defendida, só é possível através da construção de hidrelétricas que alagam regiões e aniquilam lentamente os habitats dos animais que tanto defendem.
Longe de ser uma sociedade da diversidade, é uma sociedade onde quase todos são iguais (no pior sentido que isso possa ter). As diferenças existem apenas nas aparências, ou estão limitadas ao simples discurso. Nada muda ou se torna diferente depois de tudo que foi dito. As pessoas parecem todas moldadas dentro de uma mesma estrutura, mas encoberta por alguns detalhes externos. Quando caem os detalhes, o esqueleto de todas elas é um sempre igual.
Alias, tudo parece a repetição de uma mesma estrutura miseravelmente encoberta por alguns detalhes. O que certos “moderninhos” fazem para se diferenciar, é logo percebido como comportamento massificado e imposto. Colocam um brinco alargador nos ouvidos, e quando saem nas ruas observam um monte de pessoas com esse mesmo adorno.
Líderes mundiais realizam conferências para discutir a fome, a educação, a pobreza e o meio ambiente, e depois de uma série de discursos convincentes, temos a proliferação do “câncer” em todas essas coisas. As estatísticas indicam um aumento da media de escolaridade em todos os lugares, mas nunca se viu uma juventude tão alienada e desengajada como essa que ai está.
Cabelo moicano, broche do anarquismo, camiseta do Che Guevara, piercing, tatuagem, aliança tibetana, Nike Shox.
É possível encontrar todas essas coisas em uma só pessoa sem que ela saiba ao certo o que cada uma delas significa. Ou melhor, sem que ela saiba a ideologia existente por trás cada uma dessas coisas.
A pessoa se diz anti-homofóbica, mas chama de sacrilégio um filme que discute a possível homossexualidade de Jesus Cristo (Corpus Christi, filme que esta sofrendo uma tentativa de censura no Brasil, fiquem atentos!). É libertária numa esquina, moralista e conservadora na outra.
Longe de ser uma sociedade onde reina a convivência pacífica de idéias contrarias, é uma sociedade que reproduz todos os tipos de preconceitos gerados pela diferença da forma mais velada possível, e de maneira suficientemente branda para não permitir qualquer tipo de ruptura dos mesmos.
Já não são mais necessárias guerras (apesar de várias delas estarem acontecendo neste exato momento) ou radicalismos ideológicos para alguém morrer, morremos em qualquer esquina, sem causa ou propósito algum. Morremos quando vamos assistir a uma partida de futebol, ou quando somos assaltados por um playboy traficante da classe media alta (ou por qualquer coisa antagônica do tipo). Longe de construir uma sociedade menos violenta, o esvaziamento ideológico dos conceitos tornou a violência ainda maior, mais imprevisível, e completamente irracional.
Falamos muita coisa aqui, sem tanto encadeamento. Esperamos suscitar discussões.
Quando a Verdade e a Mentira surgiram no mesmo segundo, a proximidade fronteiriça (in)existente entre as duas, logo se converteu em afastamento e ambas decidiram seguir por caminhos diametralmente opostos.
A Verdade era sempre tão bela. Sua beleza era capaz de iluminar, libertar, apaziguar, tendo o poder de acalmar muitos daqueles que, refletidos na clareza de sua face, desejavam incondicionalmente mantê-la por perto. E foi por isso que a bela e amada Verdade, de forma quase contraditória e puramente opcional, nunca precisou se proteger. Alguns a odiavam, era quando sua luz podia ofuscá-los, ou simplesmente quando suas revelações geravam (in)conformismos.
A Mentira era repugnante. Sua feiúra passou a afastar os homens, e a hostilidade destes homens fez nascer a sua raiva. Passou a invejar o esclarecimento da Verdade, pois sabia ser obtusa mas preferia não admitir. O medo gerado por sua repugnância tornou-se um perigo quando muitos destes homens passaram a atacá-la. Foi então que a Mentira percebeu, que deveria estar protegida contra os ataques dos odiadores de sua feiúra, ou contra as investidas de muitos dos amantes da Verdade. Desde então, a mentira passou a andar armada. Alguns sempre amaram a Mentira, era quando sua obtusidade gerava conformismos, ou quando sua sombra trazia a conformidade.
Um dia, Mentira e Verdade cruzaram-se por puro acidente. Depois de uma longa e esclarecedora conversa, a Verdade virou as costas para novamente seguir em seu caminho. Mas era apenas uma emboscada, a Mentira embainhou a espada que trazia escondida, e aproveitou-se da distração para cortar a cabeça da Verdade. Sim, a Mentira sabia, como todos aqueles que tentavam disfarçar também sabiam, que ela seria mais amada se carregasse consigo a bela face da Verdade. Colocando a cabeça decepada da Verdade sobre a sua, a Mentira finalmente triunfou.
Desde então, a Mentira circula sem ser percebida em meio aos que antes a repudiavam, pois está travestida com a bela face da Verdade.
Quanto à Verdade, tornou-se não mais do que um monstro dócil e sem cabeça, que circula esbarrando acidentalmente pelos ombros das multidões, sem saber ao certo para onde está indo.
Pode uma sociedade vender o sonho da perfeição? Pode uma família nos dizer o que é a vida perfeita? Pode a solidariedade social ser utilizada para gerar audiência? Pode o ideal da higienização social parecer ajuda voluntária? Pode uma emissora de televisão nos vender a ignorância e ainda assim fingir que vivemos num conto de fadas onde todos cooperam entre si?Quem expressa valores que diariamente exacerbam a desigualdade pode fingir que está lutando contra ela?
A estética da família brasileira perfeita se resume na atualidade aos símbolos de felicidade, comportamento fetichizado, festas suntuosas, dinheiro e opiniões de senso comum representados pela família Huck. Os mais novos queridinhos e símbolos da rede globo de televisão, grande propagadora da nova cultura nazi-fascista brasileira.
Luciano ocupa a cabeça da juventude nacional aos sábados e expressa opiniões que passam a fazer parte do ideário nacional. Possui quadros que exploram a pobreza nacional com um corolário cristão de ajuda aos menos favorecidos. Reconstrói casas, distribui prêmios e dinheiro, fazendo com que cada brasileiro sonhe em ser o próximo predestinado da boa vontade nazi-fascista. Faz melodramas quando lhe é violado o direito de exibir objetos pessoais de grande valor (no caso, um rolex). Ou ainda doa um belo brinquedo de seu filho, que o valor sustentaria uma família por um mês inteiro, a uma família pobre, e orgulha-se em falar que a iniciativa fora do pequeno, tocado pela pobreza alheia.
A Senhora Angélica é aquela que veio à sombra da Senhora Maria da Graça. Um combo dos tumultuados anos oitenta. Gostosa, Loira, comunicativa, branca e rica - símbolos dos apresentadores brasileiros que integram os meios de comunicação de massa.
No Brasil, um país de Pretos, pobres e filhos da puta (ainda bem). Enquanto os nossos pais labutavam para conseguir algum dinheiro, devido aos desastrosos planos econômicos do presidente Sarney, as crianças ficavam deslumbradas com os programas matutinos de apresentadoras maquiadoras da vida, desejando aquilo que seus pais não podiam lhe dar, criando um ideal de consumo e de desejos, e tirando-lhes o direito de ser criança e de não se preocuparem com nada. Aos poucos, Angélica assumiu o lugar da Dona Maria nas manhãs durante a semana, enquanto a outra tomava a cabeça da juventude aos sábados, tal como Luciano Huck. Atualmente, a loira de pinta na perna, faz competições imbecis com “atores” imbecis da rede globo. Uma martelada incessante da imagem de “astros” globais na cabeça dos pobres brasileiros.
O Brasil que É o Brasil de pretos, pobres e filhos da puta (ainda bem).
Enquanto a Dona Maria da Graça voltou às manhãs para contaminar novas mentes. Dividindo as manhãs com a outra loira e também outra Maria, a Braga, com comidas exóticas e deliciosas. Para um Brasil que sequer toma café da manhã.
Essa família realizou, como mostrado na foto, uma grande festa para comemorar o aniversário de seu filhinho. Tornou-se então centro das atenções de revistas e fotógrafos que lucram quantidades absurdas com tal propaganda de uma família nazi-fascista e somos obrigados a vê-los na primeira fileira de bancas de jornal e em outros lugares de desconfortos, como médicos, dentistas e clínicas que nos fazem esperar muito tempo para sermos atendidos e nos põe a disposição tal cultura para literalmente acabar com o nosso dia.
Um câncer incrustado no ventre da cultura nacional. Uma cultura que passa a maior parte do seu tempo em frente à televisão. Desenvolvendo a mais de vinte anos, pessoas preconceituosas e que se importam mais com cachorros do que com pretos pobres e filhos da puta.
A venda de um sonho de consumo e de vida. De um modelo de família para todo o território nacional. Exatamente como era a campanha nazista da década de 1930. (Arquitetura da destruição). E no Brasil também. Lembremos do fascista “Pai dos Pobres”, o excelentíssimo Getúlio Vargas. Sem falar do Plínio Salgado.
Famílias que dão migalhas da sua fortuna para justificarem sua vida de ostentação e ainda lucram com a desgraça alheia e parecem boazinhas. Ao invés de desenvolverem um projeto social verdadeiro, adotam um padrão de ajuda aleatória, midiática, populista, e que não modifica a estrutura social. Não abrem mão da sua vida de luxos abusivos por dizerem que fizeram por merecer.
Não! É a
competência de um povo ordeiro, civilizado, progressista, e trabalhador.
De um povo que
faz plebiscitos até para decidir se a árvore da esquina da rua será cortada.
Ordeiro por
que a ordem social é buscada pela maioria, e não imposta por uma minoria
dominante que se aproveita da situação para lhe contrariar.
Civilizado por
que fez uso do seu passado para aprender com seus próprios erros, e não para
ficar culpando os outros pelo resto da vida, ou simplesmente para chegar à
conclusão de que o seu ”jeitinho” é um valor imutável.
Progressista
por que o progresso social é buscado dentro de valores minimamente
sustentáveis, e não através do signo do estupro que invade, estraçalha, e depois
joga tudo fora quando não lhe é mais conveniente.
Trabalhador
por que se esforça para manter o bom funcionamento das instituições, dos
serviços públicos, e das normas legislativas que servem ao indivíduo, e não por
que tenta conseguir tudo através da lei do menor esforço, ou por que busca apenas
a sua satisfação pessoal por quaisquer que sejam os meios.
Percebam na
tomada aerea dessa universidade da Suécia, que os carros ficam em
estacionamentos bem organizados e distantes dos prédios (e não espalhados por
todo o campus e pelos barrancos a cada meio metro quadrado), o que facilita a
convivencia no espaço público, e o fluxo dos transeuntes pela universidade.
Percebam a
interligação organizada e sistemática das ruas, que liga todos os pontos da
universidade entre si.
Percebam a
quantidade de áreas verdes e arborizadas, que chega a ser maior ou igual ao
volume de área construida.
Percebam o
fluxo tranquilo de carros pelas vias públicas, que não estão abarrotadas de
veiculos de famílias de classe média onde cada membro da familia tem o seu
próprio carro, enquanto os pobres andam de busão lotado.
Um povo
legalista, republicano, e normativo. Que acredita nesses valores como pilares para se alcançar o verdadeiro respeito mutuo. Algo que muitos preferem chamar de frieza.
Um povo que te
diz: passa na minha casa das 2hrs. às 5hrs., apenas por que não quer ser falso,
hipócrita e mentiroso, a ponto de te chamar de inconveniente pelas costas
quando você demora demais para ir embora.
Acorda Brasileiro!
E acordem todos os outros povos
que são como você. Dentre estes, o Americano.
Chega de dizer que o mundo é uma
bosta e que o ser humano não presta.
É você que não presta.
É você que vê o espaço público
como terra de ninguém.
É você que faz das instituições e
do Estado Nacional uma inércia parasitária.
É você que condena a corrupção e
a mentira dos outros, mas cria uma justificativa para a sua própria corrupção
ou para mentir para os outros.
É você que resignado
povo-público, assiste indignado aos absurdos esperando pela hora da novela.
É você que promove projetos
sociais de fachada, financiados por companhias multinacionais impiedosas.
É você que passa longe da
realidade do Câncer da periferia.
É você que fala dos seus grandes
artistas, tentando separar a sua talentosa obra da sua vida pregressa,
traidora, e hipócrita, por que quase sempre esse hiato se faz presente.
É você que ainda vive na ordem
escravocrata, na lama dos resquícios coloniais, na instituição do “Você sabe com quem está falando”, nas
amarras do “jeitinho” e na idéia de que “mundo
é dos espertos”.
É você que faz dos
relacionamentos pessoais uma forma de se dar melhor do que os outros.
É você que ainda cultiva o
estamento, que busca o status a qualquer preço, para ser Senhor e para poder estar
acima das regras, e assim tratar a todos como se fossem escravos.
E se você se considera uma
exceção a tudo isso, ótimo! Ainda temos salvação.
ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso. Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer as malas e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca. Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas. Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso? Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.
Comentário do Desmanche: Adoro esse texto. Ele trata da questão dos relacionamentos, e do lugar destes na atualidade de forma madura, experiente, e bem resolvida. Medo, exacerbação da decepção, insegurança, cobranças demasiadas, e a exigência de ter justamente aquilo que não podem nos dar, são coisas que nos afastam do verdadeiro amor. São coisas que nos impedem de sentar ao lado de alguém sem nos sentirmos obrigados a dizer algo. E é justamente nessas horas que descobrimos que encontramos alguém especial, quando nos sentimos bem em silêncio, e percebemos que isso é recíproco. Não temos mais a insatisfação constante, não somos mais insaciáveis com relação às coisas.
Comentário do Desmanche: Essa é mais uma homenagem do Desmanche de Celebridades aos artistas brasileiros esquecidos pela maior parte de nosso povo (público).
A canção descrita acima chama-se “Animais”, e se encontra no álbum “Quando Será”, de Zé Rodrix, lançado em 1977.
Mais um artista que nos faz pensar. Suas músicas são de uma grande variedade de estilos e atingem seu auge, musicalmente falando, no disco “Quando Será”. Na minha opinião, é claro.
Suas composições falam, na maior parte das vezes, dos problemas que encontramos ao longo de nossas vidas. Mas apesar de conterem um certo teor intelectual, são completamente assimiláveis para qualquer indivíduo humano. Palavras simples. Para se falar da vida, não se precisa colocar palavras difíceis para serem assimiladas apenas pelos “intelectuais”. Né Chico?? Hahahahhaha!!!
Se você não escutou este disco, escute ! Você não vai se arrepender. Se não gostar, escute de novo, hahahaha.
Animais, é uma crítica participativa do mundo moderno. Embora tenha mais de 30 anos de idade, sua música é completamente atual.
Cá estou eu, meio que abaixado, meio que nessa chuva, Pensando em algo novo, quando ouço uma multidão. Largo as latas velhas, saio correndo pelo campo, E sigo rumo ao caminho real.
Eles fugiram! Gritam na multidão. Eles fugiram! Repete um deles.
Passo por várias estradas, e encontro o primeiro grupo de rebeldes. Vieram de longe, dando vivas pelo ar, dançando e gritando. Gritando: Viva! Viva a vida! Viva muitas outras coisas. Você está entre eles.
Te chamo, e quando me vê se afasta do grupo. Vamos de encontro, você me abraça e fala comigo.
Bandeiras e mais bandeiras, Na frente e atrás, Em cima e embaixo dos arcos improvisados pelas ruas. Em cima dos postes, no meio das Avenidas, Tremulando nas portas, Nas janelas das casas. Espalhadas pelo chão, amarradas em carretéis, agitadas pelo vento.
Bandeiras, milhares de bandeiras... Colocadas às pressas, em todos os recantos, com retalhos de várias cores, Papéis coloridos, confetes e trapos por que agora estamos no meio deles. Embaixo das bandeiras, com todos gritando, com todos dando vivas, Com todos celebrando.
E bandeiras amarradas aos cabos, com pequenas antenas, Em qualquer lugar onde possam tremular. Com carros buzinando, pessoas nas calçadas, Luzes e papéis picados por todos os lados. Todos vendo essa enorme multidão passar.
Ai vão os rebeldes! Gritam. Ai vão os rebeldes! Gritam novamente.
Todos nos rodeiam, pessoas se aproximam... Todos cantam enquanto eu paro, olho e penso: Bandeiras, Bandeiras e mais Bandeiras.
Fechado Passeio pelas ruas, com os canos arrebentados, Desviando dos edifícios, que parecem cair sobre nós. Passo por rostos que nos investigam e sentenciam... Por estabelecimentos fechados. Mercados fechados, cinemas fechados, Parques fechados, lanchonetes fechadas.
As vezes, exibem cartazes empoeirados com os dizeres: “Fechado para reforma, fechado para restauro” Que tipo de restauro? Quando isso a que chamam de reforma vai terminar? Alias, quando é que vai começar?
Fechado, fechado, fechado... Tudo fechado.
Chego, abro os vários cadeados, e subo correndo a escada improvisada. Aí está você, esperando por mim.
Retiro a capa, vejo uma figura empoeirada e fria. Tiro a poeira e a acaricio. Com a mão, delicadamente, eu a limpo toda. Ao seu lado, estou satisfeito e feliz.
Passo o dedo pelo seu teclado, e de repente, tudo recomeça. Tac Tac, tamborilando as teclas, aos poucos a música começa. Logo, mais velocidade. E então, toda a velocidade
Muros, árvores, ruas, catedrais, rostos, praias, celas, celas minúsculas, grandes celas, noites estreladas, pés descalços, pinheiros, nuvens... Cem, mil, um milhão de pássaros, tamboretes, flores... Todos respondem ao meu chamado e vem.
Os muros retrocedem, o teto desaparece, e você flutua. Flutua arrancada, arrastada, elevada, levada, transportada, imortalizada, salva. Graças ao ritmo sutil e constante dessa música. Desse tac tac incessante das teclas.
Há filmes que contrariam a vontade dos figurões do esquerdismo internacional e retratam o indivíduo como responsável direto pelo seu próprio destino, minimizando o papel de"órgãos reguladores", ou de "programas sociais" coletivistas, paternalistas e até mesmo totalitários regidos por um “Estado Interventor”.
Em 1976, Sylvester Stallone criou e atuou no clássico "Rocky", que ganhou o oscar de melhor filme daquele ano."Rocky Balboa" simbolizou mais do que um mero pugilista simplório. O que seu filme celebrava era o triunfo do espírito humano e da capacidade de iniciativa individual contra todas as condições adversas. E é justamente isso que enerva os esquerdistas. Muitos deles não conseguem conter a raiva e o profundo desprezo pelo filme. Em "Rocky I", testemunhamos as tentativas e tribulações de Rocky Balboa, um boxeador de uma área pobre da Filadélfia, que com sua baixa auto-estima, parece reprimir as qualidades de bom lutador que percebemos estar dentro dele há muito tempo. Primeiro, o vemos como um pugilista amador que luta por uns trocados e trabalha como cobrador para um agiota local. No final do filme, mesmo ele perdendo a luta decisiva por uma margem mínima de pontuação, ainda consegue ser bem sucedido em todos os sentidos, como lutador e como ser humano. O tema principal do filme não poderia ser mais claro: o indivíduo consegue ser bem sucedido não importam quais sejam as condições - desde que ele seja esforçado, tenha determinação e foco. Obviamente, não acreditamos nesse pressuposto liberal de forma cega e inocente. Sabemos que o sistema capitalista é injusto a ponto de impedir que pessoas talentosas tenham uma chance de sucesso, por não dar a elas as oportunidades que deveriam ter. Mas o fato, é que alguns indivíduos, por sorte, esperança e esforço “sobrenatural”, conseguem subverter a lógica de um sistema político-ideológico naturalmente injusto, para triunfarem bravamente à sua maneira. Eles são e sempre serão exceções, mas existem e devem ser valorizados. E é aqui que percebemos a primeira pista do porque ser difícil para um esquerdista gostar desse tipo de filme. Eles acreditam que a valorização social desses indivíduos que saem da lama para a glória, transmite a falsa noção de que basta se esforçar e ter um talento para se atingir um objetivo. Os direitistas, por sua vez, acreditam nessa idéia que acabei de citar de forma bastante convicta e lacunar. Chegamos então, a um impasse político ideológico acerca da questão do indivíduo. De um lado a esquerda socialista, que acredita que o triunfo individual deve ser desqualificado, por encobrir as injustiças de uma estrutura social absolutamente desigual. De outro lado, a direita liberal e burguesa, que expressa a idéia simplista de que basta se esforçar e ter talento para se obter sucesso. Não acreditamos nem em uma, nem em outra. Propomos aqui, uma junção ponderada das duas vertentes. Não basta lutar para conseguir, mas alguns indivíduos, que obviamente são raras exceções, por razões históricas e pessoais, conseguem subverter qualquer lógica social desfavorável, e triunfar individualmente seja lá qual for a situação adversa. E mais do que isso, temos o direito de admirar esse tipo de pessoa sem sermos considerados iludidos. Li a reportagem de um morador de rua que passava os dias estudando numa biblioteca pública e acabou sendo aprovado num dos maiores concursos públicos desse país. Quando olhamos esse caso e pensamos, antes de mais nada, que esse sujeito é uma simples exceção, reprimimos o impulso de admirar o triunfo do espírito humano em determinadas circunstâncias adversas. Devemos ao invés disso, admirá-lo em primeiro lugar, e depois lembrar do fato de que ele não passa de uma mera exceção. Vejamos agora o tema homem-mulher que o filme retrata, e a maneira como esquerdistas e feministas radicais atacam o “Senhor” Balboa. Rocky representa um cara duro na queda, e isso raramente é visto na cultura popular de hoje em dia. Por causa do politicamente correto, está havendo uma feminilização forçada da cultura e do pensamento. Os heróis proclamados pelo politicamente correto, são caras que imitam a sensibilidade feminima. Rocky Balboa viola o código “esquerdo-fascista” que tira do homem o direito de ser “macho”. Ou seja, ele é forte, musculoso, duro, e ao mesmo tempo sensível. Os esquerdistas e as feministas radicais parecem não aceitar essa junção. Criaram um axioma esteriotípico que diz que OU o homem é macho, OU o homem é sensível, quando na verdade, um homem pode sim ser as duas coisas ao mesmo tempo. Você se sente envergonhado por fazer musculação, por que se for um homem forte, pensarão que você é uma pessoa truculenta, ignorante e insensível. Da mesma forma, os homens que querem demonstrar à sociedade que são sensíveis, acabam tendo que se feminilizar de forma forçada. Ninguém aqui diz que um homem precisa ser forte ou fraco, mas a sensibilidade de um homem não pode ser analisada a partir desse esteriótipo. As partes mais bonitas do filme são quando Rocky conversa com Adrian sobre a vida e as necessidades de um homem. Ele fala da necessidade de enfrentar os desafios, de sua vulnerabilidade e de seus medos. Quer mais sensibilidade do que isso? Quantas vezes isso foi retratado na cultura popular recente? Nunca mais ouvimos falar disso. No âmago do sonho esquerdista e feminista radicais está a destruição dos gêneros, já que os papéis de homem e mulher são vistos como uma construção social opressiva. Portanto, não é de se admirar que, um cara musculoso, que tem que ser "macho" e entrar no ringue, enfureça tanto as esquerdas. Segundo as feministas cooptadas pela esquerda, a presença de um homem musculoso é um ataque às mulheres. A exibição de um personagem heróico, agressivo e determinado, tem tudo a ver com ideologia política e com a noção de "masculinidade" sendo imposta aos homens para a desvantagem das mulheres - segundo o credo esquerdo-feminista. É de se imaginar como será quando essa apregoada igualdade chegar. Homens vão entrar no ringue sem nenhum músculo, só com pelancas e banhas. Talvez, na verdadeira utopia, em vez de vestirem calções e tênis de boxe, os lutadores entrarão no ringue de tanguinhas e saltinhos altos. É claro que para esses esquerdo-feministas vai ser preferível que o boxe nem exista. E, provavelmente, que os homens não existam também (é o que algumas feministas radicais parecem querer na verdade). Outro ponto intragável para os esquerdistas é a maneira como Rocky e Adrian se amam. Rocky repete para Adrian que ele é um homem e tem que fazer o que um homem deve fazer. Adrian concorda, apesar de suas reservas, em apoiá-lo e ficar ao seu lado - porque ela é sua mulher, sua companheira. É uma relação muito amorosa, de troca e preenchimento de lacunas recíprocas, difícil de se ver hoje em dia. Rocky tenta fazer com que ela se sinta como uma mulher - algo que ela também tinha escondido dentro dela. Ela se escondia por trás de suas roupas e seus óculos. Há uma cena em que ele tira os óculos dela, rompendo os limites que continham sua feminilidade. E eles se beijam pela primeira vez. É nesse momento que vemos a sedução de uma mulher por um homem - esse ingrediente atemporal e glorioso da nossa condição humana. Além do mais, Rocky aceita a ingenuidade e a imaturidade sexual de sua companheira por amá-la dessa forma, e por se considerar o seu homem. Mas quando um esquerdo-feminista assiste isso, bem, eles ou elas odeiam esses temas. Eles querem acabar com essas realidades. Além do aspecto de gênero, "Rocky" trangride a fé "progressista" na ausência de oportunidade econômica e social do capitalismo opressivo. Rocky consegue uma chance de subir na vida. A esquerda simplesmente odeia isso. A chave é que Rocky atinge sua meta individualmente. É ele contra tudo. Assim vemos o triunfo do indivíduo e do espírito humano. O que os esquerdistas não pensam, é que ninguém nega que é muito difícil ascender socialmente no capitalismo, mesmo que você tente, o que o filme mostra muito bem. Eles analisam o filme pelo que ele é, e não pelo que ele não é. É como você ir a um show de comédia, e reclamar por que o artista não para de contar piadas. Para a esquerda, os indivíduos devem ser apagados e o espírito humano simplesmente não existe. Para eles, Rocky é um filme ruim e opressivo que "perpetua a desigualdade" porque o protagonista atinge o sucesso individualmente. Para uma verdadeira "justiça social", eles dizem que a revolução deve ser feita por uma "vanguarda coletiva". Eles ficam agonizando o tempo todo sobre o por que de ninguém (isto é, os outros) compartilhar tudo. Eu sei que essa idéia também é válida e importante por acreditar na boa vontade e no voluntarismo do homem, mas certas lutas que travamos em nossas vidas são puramente individuais, e não queremos compartilhá-las com ninguém. São coisas que precisamos provar a nós mesmos e sabemos que podemos ser mal sucedidos nisso. A crítica esquerdista clássica do filme "Rocky" é que ele retrata o desejo de superar as possibilidades limitadas que o capitalismo impõe sobre as classes mais pobres. Esse desejo é individualista e, de acordo com eles, tende a reforçar o fundamento do sistema e legitimizar a "ideologia capitalista" por sugerir que aqueles que conseguem se elevar da classe operária são melhores, mais desenvolvidos individualmente do que seus colegas. Pois bem, eu acredito que aquele que consegue se elevar honestamente e ascender em uma sociedade com tão poucas possibilidades seja realmente melhor, mas apesar disso, acredito que ele seja uma mera exceção, o que não anula o meu desejo em lutar por uma sociedade beeeem menos desigual econômica e socialmente. Estarei errado? O filme pode ser visto até como uma crítica à sociedade capitalista americana. Rocky vive em um subúrbio extremamente pobre, marcado pela marginalidade e pelas sub-habitações. Quando tem uma chance na vida, por mera sorte e coincidência do destino, rejeita o apoio de burocratas ambiciosos do boxe, e percebe que para seu adversário, aquilo era uma mera jogada de marketing visando maiores lucros, algo que ele repudia totalmente. Sua vitória não é a vitória da luta, por que essa ele perde, é a vitória da vida. Um resgate de sua própria dignidade. A única coisa boa que Stallone fez em sua vida. Por fim, Rocky vai ao ringue na noite anterior à sua luta. Ele confronta o seu medo. Então ele se volta para Adrian e diz saber que vai ser derrotado. Mas diz que quer ficar de pé até o décimo-quinto round. Seu sonho e sua esperança é apenas agüentar de pé até o fim da luta. A maioria dos que já passaram por dificuldades na vida sabe o que é isso e entende. É difícil colocar em palavras, porque de certa maneira, isso é transcedente. Mas na luta pela vida contra todas as condições adversas, muitas vezes a única coisa que queremos é terminar de pé. Tem a ver com orgulho, medo e coragem. E é aí que "Rocky" toca as pessoas. E quando a luta com o Apolo Doutrinador acaba, Adrian chega ao ringue e perde seu gorro. E Rocky, que acabou de lutar a maior luta de toda sua vida, que enfrentou seu medo, e com a cara toda quebrada, só faz perguntar "Cadê o seu chapéu Adrian ?" Isso mostra a importância essencial da simplicidade e da afeição de um pelo outro. Rocky esquece de si mesmo porque sua batalha já terminou, e seu próximo passo é se importar com uma outra pessoa. Ele já fez o que tinha que fazer e a partir dali era hora de pensar na Adrian. É como na vida: a pessoa tem que fazer o precisa ser feito, e depois de se superar (perdendo ou ganhando, tanto faz), doar de si para outro ser humano. Onde fica o individualismo tão criticado pelos esquerdistas agora? Não importa quantos experimentos de engenharia social sejam tentados. Eles podem ser individualistas como o Capitalismo, ou coletivistas como o Socialismo. Eles podem ter foco na livre iniciativa individual, ou pensar no indivíduo como uma estrutura que se molda numa consciência coletiva construída socialmente, mas nunca mudarão o que o ser humano realmente é: imperfeito, lutando contra as condições contrárias, perdendo e ganhando, chorando e rindo, se protegendo e se arriscando para provar coisas a si mesmo e para doar de si pelos outros. Isso diz muito mais do que o sonho canibalístico e mutilante de idéias políticas deterministas. O personagem Rocky Balboa, com sua humanidade e coragem, nos lembra disso.
Uma homenagem do desmanche ao álbum Loki?, de Arnaldo Baptista.
Arnaldo é mais um dos artistas brasileiros que foram sufocados pela ditadura e pelo meio de comunicação de massa. Digo mais um, pois vale citar outros como: Tom Zé, Sérgio Sampaio e etc. Fora necessário que a mídia internacional os reconhecesse para só assim, serem citados novamente no Brasil. Retrato do nosso complexo de “Vira-latas”, onde sempre se acha melhor o produto de fora do que o produzido, criado e possibilitado em território pátrio.
Afinal, o Brasil exportaria o maior gênero da produção humana, ou seja, a ARTE.
Arnaldo Baptista é, e foi um artista à frente de seu tempo e assim não fora compreendido, por uma sociedade organizada sob a tutela de um Estado autoritário, conservador e oposto a qualquer forma de ação que possa contradizê-lo. Suas músicas não chegaram a nossos ouvidos, pois não geraria grandes quantidades de capital, como os superstars Gil e Caetano (que são ótimos).
È muito mais interessante à mídia, patrocinar aglomerações do “povo” “PÚBLICO” ‘brasileiro’, em micaretas, Ivete Sangalo, Criança Esperança, Louvorzão, Show missas de padre Marcelo e etc. Eventos que apenas contribuem para proliferar a imbecilidade nacional. Lembrando é claro, que todos temos liberdade de expressar o que quisermos, quando e como quisermos. Mas teremos bom senso, pelo amor de Deus.
Louco, internado 5 vezes, preconceituosamente expurgado pelo Brasil, Arnaldo sobreviveu a uma tentativa de suicídio saltando do quarto andar da clínica que se encontrava. Ficou em coma durante 2 meses, se recuperou e voltou a ser noticia no final da década de 1980, após ser citado por Kurt Cobain em sua turnê no Brasil.
Loki?, é um álbum completo. Poético. Uma mistura de estilos, assim como eram os Mutantes. Bossa Nova, Samba, Rock and Roll, Blues, Jazz, Psicodélico, Progressivo e etc. Estão presentes nesta produção artística. Uma obra-prima da música mundial.
Até quando, teremos que esperar em torno de vinte anos para conseguirmos ter acesso ao produto essencialmente brasileiro? Ontem, assisti a um documentário na Tv Cultura, sobre o consumo na infância e vi uma criança que não sabia o que era um Mamão Papaia. Pude ver também inúmeros outros tipos de alienígenas humanos.
Ou seremos nós os alienígenas. “Se ta pensando que eu sou Loki bixo? Sou malandro velho ninguém tem nada com isso.”
Ainda bem que existe Internet. Canal Brasil. Tv Cultura.
“Mais Louco é quem me diz, e não é feliz. Eu sou feliz.”
Essa é a nossa ratoeira. Agente come lixo junto com os ratos antes que os porcos se aproximem. Quando eles estão por perto a gente se esconde debaixo da lama. A gente só sai de lá quando eles já foram embora. Mas daí esse bando de imundos já comeu toda a comida.
Bill Gates, Urbano II, Jõao Calvino, Adam Smith, George Bush, Adolf Hitler, Sto. Agostinho, Truman, Soros, Antonio Erminio de Moraes, Roberto Marinho, Padre Cícero, Família Kennedy....
Oi pessoal, esse sou eu e o Pedrão depois de assistirmos uma reportagem que dizia que a poluição mundial só aumentou depois da assinatura do Protocolo de Kyoto. Passou uma cena com uma série de diplomatas e presidentes engravatados discutindo ecologia nas grandes conferências mundiais sobre meio ambiente. Aí depois mostraram uma chaminé industrial soltando fumaça preta pra falar que as coisas só tinham piorado. Daí lembramos daquela coisa patética que foi a "Hora do Planeta", e zoamos geral com o conceito de desenvolvimento sustentável. O mais engraçado foi o fim da reportagem, que dizia que o carro a alcool polui a mesma coisa que o carro a gasolina. Aí caimos literalmente na gargalhada. O Pedrão inclusive chegou a perder o controle das mãos, e quase caiu da cadeira onde estava sentado. Agora toda vez que falam de preservação ambiental e capitalismo eu começo a rir.
É meus amigos, assim é Hollywood(não sei se escrevi certo, mas isso também não importa). Comecei a assistir os filmes da série Indiana Jones ontem, e quando tudo parecia a mais perfeita diversão, eis que surge a cena aqui postada. Nunca me senti tão subliminarmente manipulado, pq apesar de saber que os filmes do Indiana Jones sempre foram preconceituosos, nunca imaginei que esse preconceito poderia ser introjetado na minha mente(um antropólogo) através de uma cena de apenas 2 segundos de duração. Pois bem, eles tentaram!!! Para o espectador desinformado, essa cena sem dúvida alguma passaria impune. Precisei procurar essa cena no youtube durante alguns minutos. Dei um print na imagem pausada, copiei, colei no paint, e recortei a parte da imagem que eu queria. Por isso mesmo a imagem não está tão boa assim.
Mas vamos à analise.
A cena acima retrata uma visão etnocêntrica e maldosa acerca do conflito Ocidente X Oriente. Indiana Jones representa o Ocidente Cristão, e o Califa do outro lado representa o Oriente Islâmico. Na cena em discussão, a oposição maniqueísta entre Bem e Mal aparece num piscar de olhos. Indiana Jones está vestido de branco, enquanto o Califa está vestido de preto. A luz vinda dos céus reflete sobre a cabeça do herói americano e vemos que o seu corpo está inteiro sobre a luz, enquanto o Muçulmano do outro lado está com o corpo colocado inteiramente sobre a sombra. Percebam a cisão entre luz e sombra (ou trevas?) no chão. Apesar dos dois estarem de frente um para o outro, o que coloca a física nessa discussão, Indiana Jones está de pé sobre a luz, enquanto o árabe permanece de pé sobre a sombra. Não sei qual seria o ângulo de inclinação, incidência, e incisão dos raios solares sobre a Terra, pra fazer com que duas pessoas, uma de frente pra outra, separadas por uns 4 metros de distância, numa rua aberta, e cercadas por uma "rodinha" de outras pessoas, fiquem uma inteiramente do lado da sombra, e a outra inteiramente do lado da luz. Só sei que é muita coincidência. Por fim, reparem que no meio de um monte de árabes existe uma espécie de "criatura maligna" toda vestida de preto, e cuja cara nem sequer conseguimos ver(uma clara representação do Mal). Por favor, confirmem o entendimento dessas metáforas, não sei se fui claro, hehehehe.