terça-feira, 19 de julho de 2011

As dez maiores cenas do cinema (na minha opinião) - parte 3




A oitava é de "Fearless - Sem Medo de Viver".

Filme interessantíssimo, que nunca consegui encontrar.

E se você vivesse sem medo de nada?
Especialmente, sem medo de morrer?
E se todos os fatos, crenças e valores mundanos perdessem o sentido, e estivessem num plano do qual você não se sente mais parte?
E se a vida não fosse mais tempo e espaço, e o tempo de duração até a morte?
E principalmente, e se você estivesse preso à sensação de estar numa passagem? À ponte que liga a vida e a morte? Ou ao túnel que leva da terra ao além?

É assim que Max se sente depois que sobrevive a um trágico acidente de avião.
Ele não se lembra de nada em relação ao acidente, afasta-se de tudo e de todos, não conseguindo retomar sua vida "normalmente".
E por que?
Por que para ele, e do local onde estava, nada mais tinha coerência.

Max negligência até mesmo sua alergia fatal a morangos.
E é no chão engasgado e intoxicado, entre a vida e a morte novamente, sentido-se no "túnel" mais uma vez, que consegue se lembrar dos momentos que antecederam à colisão do avião.

Max não se preparou para a vida, não tinha mais qualquer pretenção de sobreviver. Transcendeu a realidade física, e entrou numa espécie de realidade metafísica.
O mundo terreno fica para trás, a vida na Terra também. Ele se prepara para a grande viagem, a grande jornada para a eternidade.
Ele levanta e anda pelo avião. Observa as pessoas como se estivesse de fora, como se fosse um anjo vagando. Ele consegue caminhar tranquilamente mesmo com o avião em queda livre. O som desaparece, e ele nota com atenção as expressões e gritos das pessoas, confortando algumas. Esse apego à vida parece não fazer mais sentido algum para ele.
Deita-se ao lado do garoto e prepara-se para a sua passagem.

Percebe-se então, por que Max se sentia desligado de tudo ao sobreviver. O túnel do avião e a luz na saída, não o conduziram ao paraíso que ele esperava. E enquanto alguém não o resgatasse desse túnel, ele sempre se sentiria ali.



sábado, 9 de julho de 2011

As dez maiores cenas do cinema (na minha opinião) - parte 2



O nono lugar vai para o final de "A Outra História Americana".

Que grande filme é este. A melhor educação anti-neonazismo que já existiu.
Este final pegou de surpresa. Sinceramente, não esperava um desfecho desses. O filme faz você se envolver com os personagens. Quando passo aos meus alunos, vários choram copiosamente no fim do filme.
"O ódio pesa! A vida é curta demais para ser vivida odiando".
O irmão do garoto negro morto por Derek nos tempos em que este era nazista, tem sua vingança matando justamente o irmão de Derek, o desnorteado Danny.
Um ciclo de intolerâncias e vinganças que tinham a questão étnico-racial como justificativa ou pano de fundo.
Algumas heranças precisam acabar. Correntes precisam ser rompidas, e ciclos precisam ser quebrados.
É o que acontece quando Derek descobre o irmão morto e diz: O que foi que eu fiz.
Derek alimentou o ciclo matando os assassinos do seu pai racista. Pena que ele foi quebrado da pior forma.
 Termino com as palavras do professor Swenney a Derek na prisão: "Alguma coisa do que fez tornou a sua vida melhor?"

quinta-feira, 7 de julho de 2011

As dez maiores cenas do cinema (na minha opinião, é claro!)


A décima é o final de "O nome da Rosa".

Enquanto Salvatore arde nas labaredas do Tribunal do Santo Ofício, Remígio vibra com a insurreição dos camponeses contra os Inquisitores.
Remígio que em seu julgamento diz: o diabo a quem renúncio é você, Sr. Bernardo Gui (Inquisitor).
Os camponeses queriam libertar a "Rosa" (qual o nome dela?), enquanto Adso e Willian caminham em meio ao mosteiro incendiado para salvar todo o conhecimento que pudessem.
Conhecimento que era escondido nas salas escuras e subterrâneas da biblioteca.
Jorge havia incendiado o mosteiro, para que o mundo fosse privado dos saberes contidos nos livros, especialmente na Poética, do filósofo Aristóteles.
Willian acreditava que a religião poderia sobreviver à ciência, e até mesmo ao escárnio de Deus.
Remígio e Salvatore eram ex-doltinitas, e são condenados injustamente ao lado da "Rosa" como os culpados pelos assassinatos que ocorriam no mosteiro.
Os doltinitas eram uma ordem herege da Idade Média que matava ricos, poderosos e membros do alto clero. A aversão aos afortunados pode se transformar num ódio que faz dos oprimidos os novos opressores.
O inquisitor Bernardo Gui tenta deixar o local quando percebe a iminente destruição do mosteiro e o provavel levante camponês, mas Adso e os camponeses não permitem. Estes últimos jogam Gui no precipício. 
Quando Adso descobre que seu Mestre havia salvo alguns livros, e que a camponesa não tinha sido queimada, sente um grande alívio. 
A relação de Adso com a camponesa é algo que se assemelha a Jesus e Maria Madalena. Madalena era prostituida e encontra em Jesus sua salvação. Assim como a camponesa em relação a Adso.
Adso que nunca soube o nome da Rosa.

sábado, 2 de julho de 2011

Sociedade do Tecnólogo - parte 4


Educação Apostilada!
Fabricando consciências, doutrinando rebanhos.

sábado, 25 de junho de 2011

Sociedade do Tecnólogo - parte 3



Formação de operários alienados com diploma e qualificação para trabalhar nas grandes corporações capitalistas é aqui!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sociedade do Tecnólogo - parte 2


Formação de mão-de-obra útil e barata é aqui !!!!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Estado Gripado




Que tal dirigir,
a maior das corporações farmacêuticas.
Se alguns morrerem,
Saiba que tudo parecerá normal.

Rios de dinheiro, rios de germes, narinas inchadas
Não se preocupe, nós temos a cura.
Mares de vírus, inundações tóxicas, sinfonias de espirros,
Por uma bagatela...mostre o seu cartão,
e terá o antídoto que o seu plano cobrir.

Abram suas torneiras,
Bebam a nossa água.
Temperem nossos enlatados com nossos condimentos,
Entrem no nosso mais novo fast-food,
A publicidade te atiçou, você está louco,
como não pensa em outra coisa,
a não ser comer o nosso lanche?

É a Gripe do Estado!

Você parece assustado,
A TV anunciou os mortos?
Não quer estar incluído?
Estão de plantão no laboratório.

Rios de dinheiro, pílulas mágicas, gels especiais, tubos de ensaio...
Eletroldos em ratos, pulmões cuspidos,
Porque os jovens estão sempre tão doentes?

Sabemos que você é a cobaia,
Mas saiba que para nós,
A cobaia é quem paga a conta.

É a Gripe do Estado!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Despedida do Ronaldo da Seleção


Assistindo ontem à despedida do Ronalducho me lembrei de um tempo não tão distante em que tal acontecimento seria motivo de extrema alegria. Voltei aos meus 14, 15, ou 16 anos, quando um amante do futebol como eu se esguelava de gritar os gols do fenômeno na Copa, assistindo às partidas pela Globo e morrendo de rir, ou as vezes se emocionando com as topeirisses do Galvão Bueno.Confesso que não é a primeira vez, que diante disso sinto uma certa nostalgia, e um profundo sentimento de solidão. Como quando nos descolamos do mundo.

Normal!!! Tenho os Simpsons, o South Park, o Pica-Pau, o Chaves, o Adnet, e mais uma série de coisas, inclusive o Jô Suado do Pânico (muito bom, hahaha), pra ver e rir. Não sou dessas pessoas que acha que criticar tira a felicidade. Há humor para todos os gostos. Do non sense ao crítico.  

O pensamento crítico é mesmo uma faca de dois (le)gumes. Ontem só consegui pensar no monopólio global na transmissão de jogos do campeonato brasileiro, conseguido às custas de todo tipo de falcatruas, mentiras, tráficos de influências e corrupção. Pensei na CBF, no Ricardo Teixeira, na FIFA, nas safadezas em torno das obras da Copa, e brochei. Um mar de lama no futebol, na imprensa, na política, e em todo lugar.

A Globo com esse discurso de que regular concessões de transmissão, evitar propriedade cruzada e monopólios nas comunicações, é o mesmo que ferir a liberdade de expressão e regular conteúdos. Alguém ainda acredita nisso??? Criticando a Argentina por que ela tem legislação para as comunicações, enquanto nós ainda usamos a de 1962, por que ela, a Globo, não deixa que nada no Brasil seja democratizado.
E o Ronaldo hein??? Sem dúvida alguma foi um dos maiores dentro de campo. Vamos analisá-lo só dentro de campo?? Por que a Globo não faz isso também com o Maradona???

Ronaldo se fez por ser Ronaldo. Não precisou de ninguém a não ser dele mesmo e do seu futebol. Seu carisma e seu estilo próprio. Era pra ser linha de frente de qualquer coisa que fizesse ou falasse. Não dependeria de nada depois que se fez no futebol. Era capaz de incendiar uma geração. Ao invés disso, é um baba ovo da Globo, um puxa saco condizente com todas as maracutaias da CBF e do Ricardo Teixeira, que por sinal devem trazer lucros a ele. Bate no peito para falar de sua amizade com o Teixeira, e para incentivar toda essa indústria da filantropia e do marketing de plástico.

Agora que você encerrou sua carreira como jogador Ronaldo, seja bem vindo a sua vida como homem - é dela que estou falando: a de empresário sem-vergonha, hipócrita, sujo e picareta.

domingo, 5 de junho de 2011

3Ds



O 3d sem óculos, é claro. (Só pra dizer que escrevi algo).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Suprimo essa educação



É professora! 
Estamos entrando em sala de aula para salvar o Brasil?
O problema da educação é a sala de aula? Ou seja, os professores?

Comecemos pela discussão prática!
Professores de escola pública dão umas 50 ou 60 aulas por semana para sobreviver.
Trabalham em 3 períodos, não comem direito por que não possuem horário de almoço.
Passam de 10 a 12 horas por dia de pé, usam o pouco tempo livre que tem para fazer o trabalho extra-classe.

Depois dessa rotina desgastante, pedem para você utilizar os sábados para fazer cursos de especialização, oficinas de capacitação, e cursos de qualificação profissional. Pedem que você seja criativo, inovador, e revolucionário na elaboração de métodos e materiais pedagógicos que melhorem o aprendizado. Pedem que você dê show, que tenha entusiasmo e sorriso no rosto para entrar em sala de aula animado e cheio de novos recursos multimídiáticos, audiovisuais, bibliográficos, e interdisciplinares para os nossos estudantes. No fim, é como se os professores não tivessem acompanhado a evolução da sociedade. São eles os atrasados, retrógrados conservadores.

Sejamos realistas, não há tempo, estímulo, ou motivação para fazermos nada disso. Até porque, professores são seres humanos, pessoas que possuem familia, filhos, vida social, e que precisam de descanso e lazer. Deveria haver tempo e dinheiro para que pudessemos fazer tudo isso que nos cobram.
Mas a quem queremos enganar? Professores da escola pública não possuem tempo sequer para ler um livro, quem dirá para ver um bom filme, muito menos para estudar ou se atualizar. E quando há tempo, certamente não há dinheiro ou incentivo. Professores de Estado estão sempre esfolados e esfarrapados. Sua imagem cansada e desgastada é um desestímulo para os alunos. É isso mesmo, terminam como a personificação do fracasso e do insucesso.

Nossos professores estão frustrados, deprimidos, desmotivados, sem orgulho, dignidade ou respeito. O que começou com o descaso de toda uma sociedade, terminou no desinteresse generalizado e progressivo dos educadores. Não seria nenhum absurdo dizer que dão aula apenas pelo dinheiro. Alias, pela merreca que ganham. A acomodação, o descaso pela educação, e as artimanhas ou vícios no interior da própria classe profissional, foram uma reação brutal a todo esse estado de coisas. A toda essa cultura de desvalorização do saber e do conhecimento. Professores do Estado, viraram burocratas dadores de aulas.

No Brasil existe uma concepção equivocada, que trata a docência como trabalho voluntário, altruísmo, ou pura vocação. Como se professor aceitasse sofrer e ser desvalorizado pelo simples amor de educar. Somos submetidos a todo tipo de deboche, escarnio e esteriótipos por que gostamos, amamos o que fazemos. Não podemos gritar um palavrão, ou ter um descontrole momentâneo que somos acusados de "nem parecer professores". Uma piada, simplesmente por que nós não somos assim. É fácil descobrir durante a vida em sociedade, que ninguém é assim. Somos profissionais, e não a Madre Teresa de Calcutá.

No fim, a consequência disso são aulas mal dadas, provas mal feitas, baixo padrão de exigência, enganação e negligência de todos os lados. Algo que com relação aos professores, nada mais significa do que uma revolução invertida que diz: "vocês verão o quão inútil eu posso ser".

Competimos contra tudo e contra todos. Contra uma mídia que desinforma, contra os meios de comunicação de massa, contra a indústria cultural, contra a sociedade de consumo. Lutamos contra o nazi-facismo das grandes corporações, da publicidade e da propaganda, e da indústria de relações públicas, que vendem uma falsa noção de realização pessoal. Precisamos competir contra a televisão, contra as pseudo-celebridades e suas opiniões estapafúrdias, contra os jornais e revistas de péssima qualidade.

Haja tempo e disposição para corrigir conceitos e opiniões pré-cambrianas, adquiridas fora de sala de aula, e atribuídas a nós. Quanto tempo tenho com uma classe? 50 mitutos? Uma hora e meia por semana? E depois de tudo isso, somos os únicos culpados pelo surto de burrice institucionalizada na sociedade.

Não dá! Peçam para a Xuxa salvar o país. Peçam para o Luciano Huck, o Criança Esperança, a Globo, o Faustão, ou o Pânico na Tv. Peçam para os Jornais, o Datena, e para os participantes do Big Brother Brasil educarem a população. Pessoas mais bonitas, bem sucedidas, e descansadas do que nós. Por que nós estamos vencidos, derrotados, perdemos essa briga há muito tempo. Só faltava admitir. São forças muito poderosas para corpos e mentes tão destruídas e desrespeitadas. São exemplos de sucesso mais valorizados e considerados do que nós. Alias, aqui quero deixar claro que sempre fui imparcial dando aula. Nunca manifestei opiniões políticas ou religiosas.

Temos que enfrentar uma nova geração de pais hipócritas e permissivos que ensinam e incentivam seus filhos a driblar o sistema escolar e agir com anti-ética e falta de cidadania. Pais que depois atribuem toda culpa a nós, e questionam nossos métodos supostamente disciplinadores e autoritários. Como se ainda vivessemos no The Wall (só se for no The Wall ao contrário). Os mesmos pais mimadores que quando percebem que seus filhos cresceram, invertem o discurso e dizem da forma mais cruel possível que eles precisam aprender a se virar. Pais sem senso. Todos querem que seu filho sente de frente para o professor depois que percebem o quanto ele está indo mal na escola. Precisaríamos fazer uns 20 lugares por sala ali. Mas todos pensam: só eu irei pedir. Geração de clientelistas, privatizadores, e consumidores de algo que possa substituir o seu papel de educar.

Mas não quero culpar pais, alunos, professores, pedagogos, diretores. Todos são parte do fracasso de um sistema. Alias, todos são crias e criaturas desse sistema. Digo que o aumento substâncial de salário é fundamental, deve ser a primeira reivindicação e prioridade da categoria, mas que ele não tornará a educação mais interessante. Apesar de torná-la anos luz mais qualificada nos seus objetivos práticos.

Ando de cara com a educação!
Uma pedagogia tecnicista ao extremo, voltada unicamente para a transmissão de conceitos. Conceitos conchavados, resumidos, apostilados e mecanicistas. Conceitos que passam a valer por sua utilidade prática, e sua aplicação concreta e objetiva no mundo do trabalho. Conceitos que de tão sintetizados, não servem mais para pensar, por que não são mais contemplativos. Cursos programáticos e planificados com uma carga tão grande de conteúdos, que tudo é feito para ser dado de forma rápida e superficial, tendo em vista apenas o valor utilitário de cada coisa. O valor prático e lucrativo. Uma utilidade de rebanho, que visa formar indivíduos úteis à sociedade, e uma mão de obra produtiva para reproduzir o sistema. Desde cedo, ensinando pessoas a catalogar coisas, para aumentar a eficiência na execução de tarefas objetivas. De onde não sobrará a transcendência, por que a contemplação dará lugar à inércia, e o estado de coisas parecerá um fatalismo. E neste caminho, vemos a emergência do ensino técnico e dos cursos de formação rápida, já que toda a educação passou a ser voltada para a especialização, a profissionalização, e o tecnicismo. Aprender a pensar, deu lugar ao aprender a fazer. E pior do que isso, pensar de forma condicionada e disciplinada no como fazer. A educação tecnicista, é também disciplinadora dos corpos e mentes.

Uma humanidade toda, sendo suplantada pela mentalidade utilitarista. Um mundo de conformismo, onde escrever um texto como esse é ser freak, e provavelmente demagogo. Numa sociedade que não contempla o que há de humano nas coisas, sem pensar na sua utilidade prática para a estrutura de produção, ou na reprodução acrítica do sistema vigente. E é por isso que a Globo, empresários, o Faustão, o Fantástico e o Jornal Nacional estão tão interessados em discutir a educação. Por que falta mão de obra barata, qualificada e útil para a sociedade continuar girando em suas engrenagens. É por isso que a aula de energia cinética não discute antes o que é energia, e a aula de pré-socráticos é um pout pourri de nomes de filósofos e resumos de 3 linhas sobre a sua obra. Qualquer discussão deve servir unicamente para aumentar a criatividade e a desenvoltura desses trabalhadores, ou dos novos alienados com diploma, enquanto os ensina a produzir em massa e tornar o tempo mais produtivo. Nada vai além da pura aquisição de conhecimentos aplicáveis. Não há mais importância em ensinar o indivíduo a construir uma visão própria e dialética de mundo. Uma vitória do totalitarismo invertido. Vamos investir em educação para formar mão de obra útil.

Por tudo isso, me encontro sinceramente frustrado com a educação. Por que dentre as condições para se ter uma educação de verdade, a escola pós-moderna, neoliberal, privatizadora da vida, e corporativa não está. Sendo assim, suprimo essa educação.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Pequeno Vale do Figo - Parte 2

Oi Pessoal,
Há pouco tempo publiquei um post que descrevia as características básicas do feudo bolsonarizado aonde moro, o Pequeno Vale do Figo.
Cidade onde ocorre a chamada Festa do Figo, que é um lugar aonde você pode ir, comer um figo roxo e voltar pra casa, visto que não há mais muita coisa pra se fazer por lá. Mesmo num lugar onde o Pib per capita é maior do que o dá França ou igual ao do Canadá, mas no qual nem sequer 1 real é investido em cultura.
Como esse blog já está nas últimas, e eu não aguento mais tanto marasmo, deixo aqui um post que descreve os políticos desse nosso clã.
Começo pelos vereadores, e na próxima edição falo do prefeito(Suserano) Marcus I.


Dalva
                    




Dalva se elegeu depois que o pastor da sua igreja prometeu: "ou vocês votam nela, ou vão queimar nas labaredas do inferno". O rebanho de fiéis obedeceu, e lá está ela até hoje. Tornou-se presidente da Câmara, e no ano passado, num dos atos mais inconstitucionais que eu já presenciei, prorrogou seu próprio mandato de presidencia com o apoio da maioria da bancada. O ato violou não apenas a lei orgânica do município, como qualquer pressuposto lógico de um estado democrático de direito. Está sendo julgado até hoje, mas pelo jeito nada acontecerá. A Igreja da dona Dalva cresceu, e ela que antes era oposição ao prefeito Marcão, hoje o apoia incondicionalmente. Alias, nossa querida mulher de fé é mestra em criar discursos que aliviem o prefeito corrupto. Uma porta-voz que não deixa nenhuma denúncia ser apurada ou sair do papel.
Atualmente, briga a tapas no PSDB da cidade, seu partidão, pra saber quem vai ser candidato a prefeito pela legenda.

Tunico



Tunico se elegeu depois de ficar durante 3 anos perambulando de bar em bar para pagar cachaça e ovo em conserva para todos os bebuns da cidade. Trabalhava com escolinhas de futebol e prometia fazer projetos na área de esporte, assim como levar recursos e infra-estrutura para o bairro Cecap. Parou de trabalhar nas escolinhas meses depois de eleito, trocou de carro, e nunca fez nada. O que não é de se estranhar, pois provavelmente, ao que parece, não sabe ler ou escrever. Falar também não é o seu forte. Também parou de tomar a sua pinguinha do fim do dia, e não se sabe de nenhum projeto esportivo que tenha redigido. É uma das pessoas que só faz votar e endossar tudo que o prefeito Marcos, o Senhor Feudal, fala e faz. Seus argumentos e justificativas beiram o absurdo.

Clayton


Outro fiel seguidor da palavra de Deus, era opositor do Suserano Marcão, e atualmente é mais um dos cordeirinhos do seu rebanho, disposto a defendê-lo com unhas e dentes, e mentir descaradamente para impedir que a imagem do prefeito seja questionada. É dono de várias lojas de Tintas, e depois que Marcão entrou no poder e ficou conhecido por pintar guias e lombadas com uma frequencia incomum, nunca mais reclamou do prefeito. O que deve ser coincidência, hahahaha. Também briga a tapas no PSDB municipal por que quer ser prefeito. Daí passará a falar mal do Marcão de novo. Nada interesseiro.

Aguiar


Pelo que me lembro, trabalha no ramo de imobiliárias. Mas não estou certo nesse caso. De qualquer forma, é outro puxa saco do suserano Marcos, e ventríloco da ala governista da Câmara. Ainda tenta descobrir por que é vereador. Como trabalhava em secretarias na Câmara, provavelmente foi eleito por estar sempre ali e aparecendo, o que mostra a grande consciência política dos nossos habitantes. Alias, antes da vereança tinha sempre aqueles cargões no governo.

Scupenaro


Ventriloco da ala governista. Eleito pelo pastor da sua Igreja.

Fábio Damasceno


Ventríloco da ala governista. Pastor.

Paulo Monteiro


Tem trabalhado ativamente nos últimos anos para destruir os últimos resquícios da fauna e da flora de nossa cidade, construindo condomínios de luxo em seu lugar. Seu árduo trabalho tem surtido efeito, visto que o Pequeno Vale do Figo só tem condomínios e bolsões de segurança, num processo de bolsonarização feudal que deixaria qualquer senhor feudal de cabelo em pé. Seu afinco já custou a mata atlântica e mata dos cocais da cidade toda. Parabéns pela feudalização, e por fazer da consciência ecológica um quadro de uma orquídea na parede.

Egivan Lobo



Tem uma banca de cds e dvds piratas no centro e é vereador pirata também. Outro ventríloco do Suserano.

TE CUIDEM SENHORES!!!
ESTAMOS DE OLHO!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Arquive.org


Passando para recomendar um dos sites mais curiosos que já descobri.
Archive tem todo tipo de velharias culturais que se possa imaginar.
Documentos, livros, filmes, anúncios publicitários e governamentais, animações, etc.
Vale a pena conferir.
Há vídeos institucionais de experiências e pesquisas também.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Rio 3D





Acabei de assistir ao filme RIO, versão 3D, com a minha sobrinha de 11 anos.
Confesso que sai do cinema constrangido.
Patética produção cinematográfica, feita para arrebatar novos membros da juventude hitlerista brasileira (que por sinal está em constante expansão).

Não vou nem discutir o fato de um pássaro brasileiro ter um nome em inglês, ou a constatação de ter que ver um filme sobre o Brasil legendado em português. Não sou anti-americano. Se o estúdio que produz o filme é americano e paga a conta, que bote a língua inglesa como idioma da produção. Se o filme fosse bom, não haveria qualquer problema nisso.

Fico impressionado com a falta de criticidade dos "teóricos do excesso de politicamente correto" numa hora dessas. É claro! Não poderia ser diferente. Para eles, nada é preconceito. Tudo é exagero deliberado de alguns. Por isso verão o filme como construção puramente normal. Quiçá, como produção educativa. Tudo como deve ser, segundo um bando de facistas Bolsonarizados.

A produção retrata 3 coisas de forma rasoavelmente satisfatória: A beleza da cidade do Rio de Janeiro e de suas paisagens naturais; a riqueza da fauna e da flora carioca; e a variedade, diversidade e qualidade de nossa música. Fora isso, o filme é uma enxurrada sem fim de esteriótipos, sandices, e preconceitos de rebanho. Alias, a sua única utilidade prática é essa: utilidade de rebanho. Que é a de conduzir, formar e instrumentalizar o novo rebanho direitista de jovens da nação.

Também é a típica visão estrangeira retratar o Brasil como país que só tem uma paisagem natural exuberando para mostrar.

Claro! Nós brasileiros também estereotipamos. Mas não acho certo fazermos. Então reclamo quando fazem.

Quando a personagem americana se depara com uma mulata rebolando no meio do carnaval de rua, pergunta ao ornitólogo brasileiro quem é ela.
Uma dançarina profissional? uma estrela da música? uma celebridade?
E o ornitólogo responde: Não! É só a minha dentista.
ÓÓÓÓ, no Brasil qualquer pessoa normal, mulata, e com uma tanajura abandona o seu escritório no meio da tarde de carnaval, e sai rebolando pelas ruas de tanguinha.
Não precisa nem ser profissional da dança ou coisa do tipo, que beleza. Nos EUA não tem dessas, nossa!
E quando a dentista pergunta ao ornitólogo se ele não vai ao baile, ele diz que vai mais tarde para ela arrematar: "Não esqueça o fio dental hein!?"
Que maravilha! Uma extensa informalidade erotizada que lembra muito o nosso cotidiano, e totalmente avessa à rígida burocracia legalista e formal dos países europeus e da america do norte.
Algo nada exagerado! Nos EUA não tem essas coisas. São mais civilizados. Realmente.
Eu não sabia que as favelas cariocas e que o crime organizado, que já comete crimes o suficiente, traficavam animais silvestres. Será que todo tipo de comércio ilegal ou de pirataria que aconteçe por aqui é feito pelos favelados da cidade maravilhosa?

Também não sabia que qualquer criança favelada de 10 anos, moreninha e com camiseta da seleção de futebol, sabe pilotar uma moto no meio dos corredores apertados da favela, com a mesma desenvoltura e destreza de um piloto profissional de Moto GP.

Segundo a produção, qualquer jogo de futebol da seleção paraliza o país a ponto de funcionários públicos, privados, ou até criminosos de alta periculosidade ficarem hipnotizados, e não conseguirem mais fazer nada. É sério, qualquer amistosinho entre Brasil e Argentina, e o país para de um jeito que você entra aonde quiser sem ser percebido.

E a quadrilha de micos leões assaltantes? Macacos ladrões? O que isso quer dizer?
E os gritos de pega macaco ladrão?
E o pássaro malvadão dizendo: é isso que dá mandar macaco fazer trabalho de ave!
O que quiseram passar com isso?

No fim o filme tenta dar um final politicamente correto fazendo a americana ficar com o brasileiro e "adotar" o menininho. Além de...óóóó....soltar o passarinho (que boazinha!).

Sem falar em várias outras coisas. É tanto esteriótipo do exterior sobre o Brasil que dá até medo.
Simplesmente lamentável. Mas vou ficando por aqui.


E desculpem nossos ilustres pensadores Reinaldo Azevedianos ou Carlos Verezianos pela minha paranóia politicamente correta.
Também sou politicamente incorreto as vezes no dia a dia. Só não produzo cultura de massa nesses moldes.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Jornalistas do grupo Folha são demitidos após comentários no Twitter


Por Luiz Mazetto, para o IDG Now!

Publicada em 04 de abril de 2011 às 18h50

Considerados "inapropriados" por ombudsman da Folha, tuítes tratavam da cobertura da imprensa sobre a morte do ex-vice-presidente José Alencar.

Depois de um editor da National Geographic e um fotógrafo do Agora, foi a vez de dois jornalistas dos jornais Folha de S.Paulo e Agora serem demitidos por comentários no Twitter considerados impróprios pelos veículos (que, neste caso, são do mesmo grupo).
No último dia 29, o então editor-assistente de política da Folha, Alec Duarte, e a repórter do Agora SP, Carolina Rocha, trocaram tuítes sobre o trabalho da imprensa na cobertura da morte do ex-vice-presidente da República, José Alencar, que faleceu na mesma data.
"Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão”, escreveu Duarte em sua conta no microblog, sem fazer nenhuma referência explícita ao ex-vice. Depois, Rocha respondeu: "Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs.” O jornalista, então, lembrou de um erro recente da Folha, que noticiou erroneamente a morte do ex-senador Romeu Tuma, no último mês de outubro. "Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo." Mais uma vez, sem fazer citação direta ao erro do veículo.

Bastaram três tuítes para causar a demissão dos jornalistas
Os jornalistas confirmaram suas demissões em seus respectivos perfis no Twitter e blogs. Carolina chegou até a enviar um e-mail para a ombudsman da Folha, Suzana Singer, que publicou coluna no domingo, 3/4, criticando os comentários dos jornalistas (que considerou “inapropriados”). Tanto os e-mails trocados entre ambas como a coluna de Singer estão disponíveis no blog da repórter.
Em tuíte postado na tarde de hoje, 4/4, e em um dos e-mails, Carolina afirma que Suzana teria sido “culpada” pelas demissões, já que os tuítes, segundo ela, não teriam tido repercussão nenhuma, ao contrário de casos recentes já citados, como o da National Geographic. A isso, Singer respondeu no e-mail: “Não tenho nada a ver com a demissão, porque não tenho nenhuma participação nas decisões das chefias. Mas posso dizer que lamento muito a saída de vocês e me sinto mal por ter provocado isso com a crítica interna.”
As contas no Twitter de ambos os jornalistas não traziam então nenhuma referência aos seus empregos nos jornais. Além disso, os comentários e os perfis no microblog continuam ativos e disponíveis para visualização.
Até o horário de publicação desta reportagem, a Folha de S.Paulo não havia respondido ao nosso pedido de comentário sobre o assunto.